Kore

September 21, 2008 on 11:01 pm | In Nada | No Comments

P/ C.

Foras velho canto arval,
Ou cocotte puberscente,
Andaluza, que não prende
Rebelde pássaro imortal,
E serias toda tu,
Como escrita nas estórias.

Seja a vida vã, inglória,
Seja a taça escassa e agre,
Seja o céu o purgatório,
Onde o fogo eterno arde:
Tudo é jogo! Tudo é nada,
tudo é sombra recortada.

Tudo é espasmo doloroso
Entre o riso misterioso,
Que de amargo e secreto
Faz do fruto o predilecto.
Seja a vida os teus grilhões
E o deleite a quem os põe.

E a calar a dor do cio,
Vem de longe o calafrio,
Quente, sobe pela espinha,
Pelo ventre se entrelaça,
Entre a ferida emudecida
Que o silêncio só alastra.

Devolve-me, num pronto!
De uma vez para sempre
O odor insipiente
De um banco de autocarro,
Do ver passar com cores
Abertos em metades.

Sob diáfano e sedoso
Que é o manto da verdade,
És a face crua e nua
Da complexidade.

pt. 16

July 9, 2008 on 5:26 pm | In Nada | No Comments

No meu negócio, não costumamos ter problemas com a saudade. Ela fica em casa, quiçá no seu faustoso vestido de seda, todo violáceo, roendo nervosamente as unhas e sucumbindo lentamente à doença da distância. Se é verdade que isso causa em mim enorme estranheza, quando sinto o trinco da porta girar, e respiro o aroma confinado e familiar do meu pequeno apartamento, fugindo fresta fora (para não falar do facto de a encontrar, quase sempre, adormecida sobre o sofá, normalmente afogada em vinho tinto)… não desminto que passar o dia sem ela me gera certos prazeres que de outra forma seriam impossíveis.

Pelo menos era assim até ela começar a telefonar-me durante as horas de expediente. As linhas de raciocínio quebram-se subitamente, rompidas pelo zunir irritante do telefone. Mas… quisesse eu ter-me casado e tê-lo-ia feito! Porque me importuna ela, cansada de saber que pouco mais quero com ela do que senti-la de vez em quando, tocá-la, talvez um par de beijos e duas ou três carícias…  dar-lhe a beber o ácido dos meus lábios, e sentir o seu peito arfar, e inspirar e levá-lo. E depois acordar sem ela, só, mas satisfeito. Mas ela insiste e telefona, e o que quer que faça, o que quer que naquele instante eu esteja a executar, é de repente quebrado e rejeitado como um papel amarfanhado onde tenha escrito uma idiotice qualquer. Tudo isto porque não consigo evitá-la, mude de número ou tente ignorar o toque, desligue o telefone da parede, peça que lhe digam que não estou, ou me afogue em comprimidos para dormir e celebre à secretária o ritual do sono. Porque então ela me aparece em sonhos, garantindo que nunca vai sair da minha cabeça, que, como um cancro, se cimenta nos meus tecidos, me invade biologicamente, e se torna parte de mim. Parte de mim, mortífera, que gradualmente ganha consciência, e se apossa dos meus sentidos e da minha decisão. Antes aturá-la agora do que depois, menos esperando, ser surpreendido pela sua picada mortal, que ela só dá àqueles a quem consegue fragilizar suficientemente! Sei que estou encurralado, sujeito aos caprichos da chantagem das palavras que saem, deliciosamente graves, da sua rúbea boca. Ela, no seu isolamento, confinada ao cubículo que é seu cativeiro, tem-me a mim, e a muito mais, prisioneiro alienado e obediente, que nessa realidade simulada em que ela é deusa e força da natureza, tem por vezes uns minutos de razão, mas logo volta sem demora, para esse jogo de azar que é alucinação.

pt. 15

December 13, 2007 on 9:45 pm | In Nada | No Comments

“O seu estado parece-me infinitamente exponenciado… esse ciclo acção-reacção, esse feedback de si consigo próprio realimenta essa atracção pelo fim.” Por detrás das lentes, que devolviam duas cópias perfeitas de mim, as sobrancelhas franziam-se em desagrado. “Não, não pode ser assim… fale-me da família.” “Vivo sozinho.” “Pois claro que vive, mas tem família certamente.” “Todos esquecidos… já nem me lembro das caras, sequer.” “Ninguém, mesmo? Todos na bruma?” “Sim. Excluindo as duas velhas…” “Quem? Fale-me sobre as senhoras…” Não havia muito a dizer. Contei-lhe uma versão extremamente abreviada da minha história, e ele contentou-se com isso. “Então visita-as de vez em quando?” “Sim.” “Mas porque o faz? Disse-me que não são família?” “Exacto. Mas sempre as visitei, e continuarei a visitar. Não sinto nada por elas, nem sequer uma gota de afecto, ou amizade.” “Porque as visita então?” “Porque sei que o sentimento, ou antes, a falta dele, é recíproca. Mas visitá-las e levar-lhes flores, e vê-las envelhecer, e enrugarem-se, e cheirar no ar a putrefacção da sua própria carne…” “Sim?” “Sadismo. Nada erótico ou minimamente ligado ao prazer físico. É uma perversão espiritual, como uma religião.” “Religião? Porque classificaria uma religião como uma perversão?” “Longa história… o Nietzche que vive em mim está de férias…” Com uma risada, continuei: “mas contemplar o envelhecer e o definhar é comparável a louvar as maravilhas do Criador, ou não concordamos nesse ponto?” Ele parou por um par de segundos, levantou os olhos, juntou as mãos em frente ao queixo, entrelaçando os dedos, e avançou: “Concordamos. São rituais de adoração da natureza. Têm até o seu quê de paganismo.” “Exactamente. São faces diferentes do mesmo prisma.” “Fale-me mais sobre as tias…” “Não são tias… são só velhas. E são as mulheres da minha vida… ou antes, da minha morte.” “Não estaremos a invadir o território da miúda… qual era o nome?” “Não. Já lhe disse que isso faz parte do passado.” “Já mo tinha dito, meses atrás…” “Sim, tinha, mas perdoai-me padre, pequei.” Ele sorriu no tom mais amarelado que pôde, rodou o olhos para a esquerda, voltou a focar-se em mim e sussurrou… “Foi bom, ao menos?” “Eu acredito no segredo profissional, mas também já ouvi falar dos híbridos terapeuta/voyeur…” “Eu não sou seu terapeuta.” “Certo.” “Então?” “Se não tivesse sido bom, não estaria aqui.” “Certo. O que relembra dela?” “A ausência. A transcendência.” “Como assim?” “Já sentiu que algo está ainda mais ausente quando o tem nos braços? Uma singularidade no espaço-tempo da saudade, alguém com as cargas trocadas.” “Nunca, não.” “É tão fácil amar assim…” “Mas deve causar dor.” “Claro.” Acabei a frase em tosse. Endireitei-me de novo. Ele olhou para os papéis… fixou os olhos em algumas letras miúdas, e tomou duas ou três anotações na minha ficha. “Belo historial que temos aqui.” “Se o diz…” “Digo, e os factos confirmam. Ficamos consigo.” “Sim?” “Sim, o trabalho é seu.” “Obrigado.” Levantei-me, despedi-me dele, sem sequer um aperto de mão. Recolhi o meu chapéu e a gabardina do cabide, e desci as escadas, pousando cuidadosamente os pés por cima da passadeira vermelha. Na cidade do norte, tudo em frenesim (como sempre). Tram para um lado, para o outro, corpos andando, correndo, parando… e o fumo escuro dos carros.

pt 14

December 13, 2007 on 9:05 pm | In Nada | No Comments

Há dias em que só penso em sangue… e este não é, definitivamente um deles. Se é a matéria rúbea que nos faz por dentro, é a translucidez pálida da pele que a impede de explodir no banho carmesim de uma nuvem de raiva. Tal como a aparência tolhe o ódio, é a esperança segura de que há uma corda à cintura que nos atira para o abismo da existência, e que retém a calma, até àquele momento, infinitesimalmente superior ao instante em que nos apercebemos de que a queda livre é contínua, ad eternum. A partir daí, somos corpos… simples corpos que balançam e se enrolam em prazer, que transpiram água e água… e não são nada para além daquilo que lhes atribuímos, misericordiosamente, atravês dos cânones da estética. Como criatura solitária que procura na mitologia uma razão que sirva de aconchego à angústia de existir, procuramos a justificação para os nossos actos em nós próprios, na nossa inquietude, e nos nossos fantasmas. Mas esta já lá existe: é certa, completa e sólida. Por vezes, sai-me a piada, e chamo-lhe “razão”.

Por isso, há dias em que a tentação da carne vai para lá da pele, e como que a perfura, fazendo pequenas gotículas emergir à sua flor, pelas leis da pressão. E a hematohidrose dos mitos parece tão verdadeira… como se acreditasse em deuses ou tivesse até fé.

As sombras não deixam rasto, e eu cumpro cuidadosamente essa regra do senso comum. Estalou o fino vidro que a separava do inânime. A frágil ampola de vida rachou e esvaziou-se lentamente. Tacita requiestat, nunc… florida erat…

pt 13

May 4, 2007 on 8:27 pm | In Nada | No Comments

O demónio aparece-me por vezes na cama. Durmo com ele, vulto cuidadosamente esculpido em forma de mulher, que me abraça e me pede desesperadamente, em surdina, que sacie a sua sede mais visceral. Fá-lo suavemente, tocando-me no ombro, e movimentando lentamente os lábios rubros, por entre um par de beijos na minha pele nua. Cada um destes tem o som do estalar de uma maçã verde por entre os dentes brancos de pérola dela… ou será o ruído do crispar da minha carne à cor pálida do seu hálito frio de inverno?

Vejo-a de vez em quando. Ainda passeia no jardim, uma ou outra vez, de longe a longe… ou passeia antes entre o eterno jardim com cenário de pedra e o meu leito de inverno? Caminha em círculos, vagamente, extinguindo-se de quando em quando como lâmpada fundida ou televisor avariado. A sua imagem oscila, brilha, por vezes ganha até cor… e chego a senti-la por momentos. Eu, de pálpebras abertas, vejo o sonho da sua súplica como se fosse solidamente real e palvável. Ei-la, demónio, vil criatura… Sinto os lábios que injectam o som no meu corpo, ressoando por dentro de mim, ecoando até aos confins do meu cérebro. E só me fica a imagem das palavras…

Vida ante acta… ipse homine.
De nobis fabula erat,
Sed mors vincit omnia.

Et carmen remanet.

A manhã é lúgubre… e calma…

Letargia

January 24, 2007 on 9:29 pm | In Nada | No Comments

O fausto e jade da alcova clara,

Ao frígido mote da manhã brilham,

E espertam a dolorosa letargia

Dos corpos lassos, no leito largo.

Quisera o lúmen desta manhã fria

Crispar-te a fronte talvez de surpresa,

E houvesse em ti a subtil leveza

Dos bocejos tristes do despontar do dia.

Houvesse em ti sequer ponta de vida…

pt 11

December 29, 2006 on 7:16 pm | In Nada | No Comments

“Hotel de Nice, por favor! Em que outro local do mundo te poderia encontrar?”, gritou ela, visivelmente alegre, com os longos cabelos ondulados a ondear ao vento forte que lhe arrastava a voz de volta, mas ainda assim, com uma intensidade que me permitiu reconhecê-la pelo timbre. Notou a minha postura débil, num instante, e aproximou-se de mim… “estás bem? Ah… estás alojado… segundo andar… muito bem, vamos subir…” O hotel era-me estranho, mas sabia que tinha um quarto por lá… não me estranharam na recepção, quando pedimos a chave, apesar do meu ar confuso, e senti a minha memória empurrar-me para o quarto 201, onde acabei por encontrar as minhas roupas, a cama desfeita, e um monte de papéis amarfanhados num canto. Ela olhava com uma certa apreensão para o cenário de desolamento que a envolvia. Recordo-me de ela ter dito “As bodas de Jeanette… lembras-te?”, sentada na beira cama, olhando pela janela fora. Eu, estendido na mesma larga cama, de olhos fixos no tecto, assentia. “Jean abandona Jeanette no altar, mas, apesar da humilhação, da tristeza, da revolta… ela decide reconquistar o seu amado. Ele despreza-a, e ela responde sem qualquer gota de ódio, nem sequer desprezo, antes amor. Porque ela, apesar de tudo, ama-o…” Saíu-me, em palavras longas, vindo de algures que não a minha consciência presente… “O Jeanette mes amours, aimons-nous toujours!” Ela riu-se… “lembras-te do dia em que vimos as bodas pela primeira vez?” Os olhos dela continuavam lá fora… “ébrios de loucura, o frio, o vendaval, a tempestade lá fora, e nós, e mais cinco pessoas no deleite faustoso da ópera. Ah…”, entoou ela em som de suspiro, e tom de sarcasmo, “pudéramos nós regressar a tão áureos tempos, Mário… ” Ambos estávamos fartos de saber que era impossível, que não havia regresso, e que essa tinha sido a minha mais longa e reflectida decisão.” Deitou-se junto a mim e agarrou-me a mão… senti os ossos ásperos onde outrora a carne plana me fazia sentir odores de suavidade. Senti as veias salientes e o suposto palpitar do seu pequeno coração… ela afagava-me os cabelos… “queres morrer no ódio? Sabes sequer o que isso é?” Eu abracei-a… e senti a sua nudez despertar por debaixo das roupas grossas de Inverno. “Se sei, minha querida, se sei…” E ela sorriu, fechou os olhos, deixando-me controlar o compasso da marcha macabra da nossa cópula, da queda inevitável dos nossos espíritos para as profundezas viscerais da nossa carne, e do cair da noite, lentamente, sobre a cidade do norte…

pt 10

December 22, 2006 on 1:53 am | In Nada | No Comments

A mitologia dos Homens já me sabe a sarcasmo: uma noite de luta contra o anjo misterioso, e o sono… e a cabeça pesada na manhã seguinte… as imagens desfocadas, com a cor a querer fugir-lhes em nuvens policromáticas mas desbotadas. É o agarrar-me a uma árvore para não cair, o não conseguir distinguir no rosto nebuloso das pessoas uma expressão de surpresa ou desencanto, a tontura, a morte lenta, o som convidativo do toque a finados, o subir as escadas de granito, uma a uma, de cócoras, de rastos, em queda… o ascender lento, em compasso, em procissão, ao toque da luz eterna do descanso, dias de ira, dias de ira, os de cinza, lacrimosos, eis o réu! Entre cânticos de louvor, e de súplica, o passar por entre a turba indiferente, e cair, de joelhos, perante o tribunal dos céus! E ver-me morto. Ver-me em flores, no meu melhor fato (não é este que trago?), em tão eterna cama… [ninguém chora por mim?] Quatro velas, uma em cada canto, ardendo levemente, e ondeando em ameaça de extinção… e eu, tão imóvel e pálido, tão propriamente trajado, faço-me espelho e contemplo… contemplo a eterna imagem que é a de ver-me, por uma  vez, fora de mim, fora do meu corpo, ver os’paços mortos, que nem espelhos me dão… ver-me sem me ver, sem ter a consciência disso!

“Hotel…

pt 9

September 30, 2006 on 11:34 pm | In Nada | No Comments

“Parece que o mundo acaba amanhã… já preparaste a tua muda de roupa?” Sorri, num misto de espanto e sarcasmo, e devolveste-me um olhar assustado. Sabias que eu não acreditava… mais uma questão de fé. E o medo e a angústia embebiam os teus olhos… “A sério, ” dizias, “passamos a noite num hotel na margem da auto-estrada, com vista para as linhas sinuosas de alcatrão e para a cinemática ciciante das balas de chapa, plástico e luz”. Eu ria-me, “a sério! Saímos pela manhã, com o sol a cortar o frio… vamos conseguir chegar a algum lado, certamente! Não quero que fiques por aqui… Porque te ris?” Parecia que o mundo acabaria mesmo no dia seguinte. A rua estava deserta, e não se via o sol já havia horas. Um vento forte levantava-se a sul, e o lixo rebolava em pequenos redemoínhos, na base dos candeeiros de rua.

[…]

pt 8

August 27, 2006 on 6:48 pm | In Nada | No Comments

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A gare é névoa e brisa p’la manhã… Oh, dias que parti, há quantos já?

A metamorfose contínua das linhas dos monitores é ruído branco vindo de todos os lados. Não há capitais europeias, grandes cidades, destinos de sonho, não há promessas de calor, de um belo passeio na neve, nem de viagem supersónica. Eu, simples viajante, embora se não me aplique qualquer regime de classe ou fumador, prefiro a segunda classe e aproveito para dar umas escapadelas ao último vagão e matar o vício. A minha importância para este mundo permitir-me ia ir em zona de fumadores, primeira classe, e com direito a chá quente e cama feita. Gosto, porém, de contemplar os rostos das pessoas à minha frente, impacientes pela próxima estação, e que vão entretendo os olhos com qualquer tipo de revista ou livro, e acariciando os ouvidos com música em alto volume (que, se assim não fosse, seria facilmente engolida pelo som insaciável da colisão do aço nos carris). Gosto dos combios regionais, das velhas locomotivas, de ver o novo mundo que surge em cada estação, adoro parar nos bancos onde as pessoas repousam, e onde milhares e milhares de traseiros se aconhegam ao longo de cada volta do mundo. Ver as caras mudarem, ler os jornais furtivamente, atrás do ombro de alguém, e desejar reclamar quando viram a página antes de a acabar de ler… gosto de ler a cultura, a ciência, a economia, politica e até a necrologia! Ah, e de me encostar lentamente ao ouvido da bela jovem e ouvir, desinteressado, a sua chamada telefónica mais confidencial! De olhar de cima a baixo a sua figura tímida e encasacada, aguardando a carruagem que me parece de rotina, que a há-de levar daqui para qualquer lado, onde provavelmente vive feliz. Como amo o pousar dos sacos pesados no chão, os passos apressados das pessoas que perdem o comboio, e até o olhar de frustração de quem vai esperar horas pelo próximo [porque têm ao menos algo que esperar da vida]… E, no canto, uma cara que não me é desconhecida [talvez se lhe tirasse os óculos e lhe soltasse o cabelo a reconhecesse] masca, na sua maior lassidão, a pastilha elástica mais longa do cosmos. Olha através de mim, não se apercebendo de que me está a trespassar friamente, e encontra alguém conhecido. Os corpos deles aproximam-se suavemente, e levanto-me, numa qualquer outra direcção, ao mesmo ritmo a que os rostos provavelmente se encontram. Ainda falta quanto… uma hora? duas? até ao meu comboio. Talvez vá apenas no próximo, ou fique a passar a noite numa pensão simples, quem sabe? [Naturalmente à espera de qualquer Dafne franzina e de sombra débil…]

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